12 Horas de Sono

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A minha resposta ao título seria “sim”. O que vi em Bastardos Inglórios foi um novo Tarantino. Antes que atirem a primeira pedra, é melhor eu avisar que não achei o filme ruim. O filme é excelente, com cenas espetaculares e atuações sensacionais. Christoph Waltz me fez rir e ficar impressionado com sua atuação. Brad Pitt, mais uma vez, mostrou que aprendeu a atuar de verdade de uns tempos pra cá. Mélanie Laurent fez uma judia muito da puta e sedenta por vingança como ninguém. Então, não tinha nada de errado, correto? Não, não tinha. A não ser que você, como eu, esperava algo a mais que Tarantino sempre faz questão de nos mostrar.

Também é bom avisar que eu cansei daquele papo de toque Tarantinesco. Por favor, parem com isso! O cara tem umas idéias muito doidas? Tem. O cara escreve coisas boas? Escreve. O cara é um bom diretor? É. O que não podemos é tapar os olhos e acreditar sempre nessa ladainha. As únicas assinaturas dele nesse filme foram a trilha sonora e a edição, o resto qualquer um poderia ter feito. Aliás, se ninguém soubesse quem tinha escrito e dirigido, e a edição e a trilha sonora tivessem sido diferentes – sem capítulos, por exemplo – ninguém acertaria que o filme é dele.

Não estou falando mal do Tarantino, só estou falando que essa coisa toda já cansou. É bom mudar ou mostrar coisas diferentes de vez em quando. Bastardos Inglórios não é melhor que Cães de Aluguel e nem de Pulp Fiction, talvez próximo ou comparável, sem visar gastos e produção. Não gosto de Kill Bill, mas mesmo nele, Tarantino foi além como sempre vai. Bastardos pode ser louco, irreal e tudo mais, mas não tanto quanto os que acabei de citar.

Tarantino está entrando no cinema grande. Desde Kill Bill ele foi aprendendo, e agora parece ter abraçado de vez a fórmula de fazer dinheiro, porém, ainda bem, com requinte. Ele não filma ou escreve qualquer coisa, mas está seguindo o caminho dos demais filmes que vemos por aí, mesmo que com uma certa peculiaridade. Se não fosse por essa peculiaridade, seria apenas mais um. E essa peculiaridade não é o tal toque Tarantinesco, e sim talento. O mesmo talento que muitos outros diretores e roteiristas tem por aí.

No fim, senti que acabou faltando algo, mas isso aconteceu apenas por esperar algo completamente fora de sério, como geralmente seus filmes são. O toque misterioso, seja de um objeto ou de um personagem. Perguntas que ficam no ar, para que nós tenhamos opiniões diversas. Diálogos mais descontraídos ou até mais complexos, beirando o “nada a ver”. O tema do filme, e época, não se aplicaria a coisas assim, mas como é um filme dele, seria justo que tudo isso estivesse presente. Ou seja: ele quis ser simples e direto dessa vez. E conseguiu fazer um filme bom, que mostra algo que praticamente todos gostariam que tivesse sido verdade, e direto ao ponto. Um filme de início, meio e fim. Sem pulos, apenas com uma leve divisão de capítulos que não alteram em nada a sequência dos fatos.

Queria comentar algumas cenas e personagens. Na verdade, todas as cenas são ótimas, mas as cenas em que o Coronel Hans Landa está presente são um show a parte. Logo no início do filme percebemos que ele é um oficial altamente qualificado nas investigações. Apenas uma pessoa o enganou – ou não – no filme. Se você não viu ainda, veja e tire suas conclusões. Sem dúvida ele é o melhor do filme, como ator e personagem.

A cena mais engraçada do filme já é perto do fim, quando já dentro do cinema Landa se encontra com sua mais nova vítima – Bridget – e os três patetas. Aldo Raine tentando falar italiano é hilário: “Riverdeci!” com sotaque americano bem puxado.

Finalmente, a cena mais deliciosa de todo o filme é a da vingança. Aviso no telão e fogo neles, com direito a muitos furos no führer. Confesso que dei um sorriso no estilo psicopata quando a cena estava rolando. Impossível não desejar que algo assim tivesse acontecido.

Enfim… Tarantino mudou. Não deve ficar apenas assim, simples e direto. As vezes ele vai se lembrar que precisa fazer algo como antigamente. Esse revezamento é bom. Mesmo ele sendo considerado único, a mesmice cansa, e com essa mudança ele ganha pontos positivos, já que para ele não significa ficar ruim, apenas diferente do (a)normal.


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