12 Horas de Sono

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Já não é novidade, ao menos para quem acompanha os lançamentos de HQs e as lê, que foi lançado recentemente no Brasil uma nova Graphic Novel do mais famoso vilão de quadrinhos: Coringa, o maior inimigo do homem morcego. Eu li, e quero comentar o que achei.

Escrita por Brian Azzarello, o criador de 100 Balas e responsável por muitos bons roteiros do selo Vertigo, a graphic novel traz uma remontagem do personagem para um mundo mais real. Repleta de referências ao submundo da máfia. Coringa está sendo libertado do Asilo Arkham, e não conta como conseguiu isso, diz apenas que seu médico afirmou que ele está curado.

Tudo envolve uma faminta retomada de poder de Gotham, pela qual havia sido perdida enquanto ele – Coringa – se mantinha encarcerado em Arkham. Tudo o que ele possuía se foi. Seus antigos capangas, imaginando que Coringa nunca mais fosse libertado, usaram seu dinheiro, fizeram novas parcerias e tocaram tudo por si próprios. Mas acontece que ele saiu, e está querendo tudo de volta.

Aos poucos ele vai fazendo contato. Com um novo braço direito, Jonny Frost – chamado de Jonny Jonny “carinhosamente” -, todos os mafiosos da cidade começam a ser enfrentados, cobrados e mortos. O protagonista pode ser o personagem título, mas quem narra toda a trama é Jonny Jonny, que aos poucos começa a tomar a forma de um possível protagonista. Uma visão principal do que é ser o Coringa e entender o porquê de tais ações, contando-nos uma história intrigante e forte.

Azzarello acertou em cheio em pôr a história nessa perspectiva de mafiosos, nos envolvendo numa trama mais real a nossos olhos. O próprio Batman, que aparece em umas quatro ou cinco páginas apenas, veste um uniforme simples, composto por borracha e outros materiais normais. Mas, infelizmente, errou feio em prolongar demais o roteiro. A graphic novel tem um pouco mais de 120 páginas, e facilmente eu jogaria 20 dessas páginas no lixo. Arrisco até em dizer que 80 páginas para mim estava de bom tamanho. Alguns personagens foram introduzidos de uma forma errônea, ao meu ver, apenas para chamar público. Nomes como: Duas-Caras, Pinguim e Charada chamam a atenção dos fãs, dando a possibilidade de rever todos esses vilões em apenas uma edição especial. O problema é que alguns foram jogados de qualquer forma na história. Não tiveram importância alguma e poderiam muito bem ter ficado de fora, dando lugar a personagens comuns, como Jonny Jonny.

Duas-Caras foi aceitável, já que fazia parte importante da trama. Azzarello usou, claro, de sua “dupla identidade” para criar uma atmosfera psicológica e ao mesmo tempo bizarra, até certo ponto. Arlequina também não poderia faltar, pois além de dar um elemnto sexy à trama, faz uma dupla perfeita com Coringa, ajudando-o a dar seus passos iniciais em Gotahm após sua libertação. Pinguim não me desceu. Além de ter ficado muito frouxo – tá, até aí tudo bem -, só foi usado como “banco” e “conselheiro”. Um desperdício muito grande. E por fim, Charada, que na minha opinião foi o vilão mais dispensável da história. Esses sim foi um completo uso do termo “encheção de linguiça”. Não vou explicar para não acabar com a graça da expericência de leitura de vocês, mas já dei a minha opinião.

Também está presente o Crocodilo, com uma nova roupagem. Não é tão bizarro como antes. Ainda mantém seu aspecto de pele, mas ficou mais humano, se transformando num negão de 2m de altura e bastante largo em músculos. Só completa o time da nova gangue do palhaço.

Como podem ver, um roteiro grande não é sinônimo de roteirto bom. Azzarello me decepcionou nisso. Achei, sinceramente, que iria ler algo mais próximo de A Piada Mortal, enquanto o que li foi algo que me encantou no início, perdeu o ritmo e a força no meio e fechou em completa inferioridade. Pensei em desistir algumas vezes, mas como já estava perto do final, apertei o botão da esperança, prendi a respiração e li. As últimas páginas mesmo até que deram uma aliviada possibiliando ser dito, pelo menos, um: “É, até que deu pra engolir.”

No fim, acabamos descobrindo que não se trata apenas do Coringa. Não se trata de uma nova caçada para o Batman. Não se trata de busca por poder e matanças. Mas trata-se de uma visão geral externa do que é o Coringa, como já mencionei. Como é seu mundo? Sua cabeça? É possível entendê-la?

Antes de terminar essa postagem, também queria comentar a arte de Lee Bermejo. Isso sim ficou impecável! A arte de Bermejo deu vida à graphic novel e ficou indiscutivelmente maravilhosa. A coloração – essa eu não sei de quem foi – esteve igualmente linda. Por isso, o material como um todo, é merecedor de parabéns. E vale sim, mesmo que com todos esses contras, comprar para conferir.

Obs: Eu li a versão em inglês, por isso, não sei dizer como ficou a tradução da Panini. Se não tiver sido entregue para Jotapê Martins, responsável pela tradução da edição definitiva de Watchmen no Brasil, pode ter ficado boa.

 

Segue algumas páginas da graphic novel e algumas artes de Bermejo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fables

Posted on: 16/01/2009

Ultimamente eu tenho estado mais interessado em HQs. Não que isso seja anormal, pelo contrário. Sempre fui leitor de Spider-Man e X-Men, por exemplo, mas as que vem me chamando a atenção não passam nem perto do estilo super-herói de ser, muito menos do estilo Marvel de ser. São as revistas da DC/Vertigo. Todo mundo que não seja viciado nessa arte já leu nomes como Neil Gaiman e Alan Moore, e esses dois são bons exemplos de nomes que devem estar escritos no alto da piramide quando o assunto é HQ. Esses dois – e alguns outros – abriram as portas do que podemos chamar de quadrinho adulto. Não são quadrinhos de sexo – bom, as vezes rola – e sim temas adultos no geral. Posso citar dois títulos para melhor mostrar o que isso significa: Neil Gaiman é responsável por títulos como Sandman e Stardust. Já Alan Moore é responsável por V de Vingança.

Com toda essa referência e uma cabeça muito boa para um roteiro cheio de  histórias inteligentes e maravilhosas Bill Willingham nos presenteia com a excelente HQ Fables. Já cheguei a comentar aqui no blog que uma possível série baseada nos quadrinhos estaria sendo cotada para estrear na ABC. Nada ainda está muito certo, mas se acontecer e for bem feito será lindo.

O assunto aqui é HQ, então essa coisa de adaptação para a tv fica no outro post. Eu nunca tinha parado para ler a fundo a criação de Willingham, e quando fiz fiquei boquiaberto. As personagens são muito bem montadas e o resultado é algo quase irreal, completamente divertido de se ler. Na história, as fábulas tiveram que migrar para o mundo da realidade. Como eles gostam de chamar, o mundo mundano. O motivo foi a tomada do mundo das fábulas pelo “adversário” que até onde eu li não havia sido revelado. Para que a ordem fosse levada a sério formou-se um comitê responsável pelo certo e errado aqui no mundo real, e esse comitê é formado por um prefeito e um vice-prefeito. Aliás, uma vice-prefeita. Branca de Neve é a segunda responsável por todas as criaturas de fábulas, senão a primeira, já que tudo é resolvido às suas custas, o prefeito apenas dá as ordens.

Branca de Neve tem uma irmã, Vermelha de Rosa. Dizem que existe uma fábula que trata dessa personagem. Eu mesmo nunca li ou ouvi falar, mas pode ser nova. O Lobo Mau, que recebeu o apelido de Bigby – Big B. (Big Bad Wolf) – também está presente como um detetive, e se mantém sob a pele de um cordeiro, ou seja, na forma humana. Após migrarem para o mundo real, algumas fábulas mudaram e se tornaram “boazinhas”, até porque no mundo real não é permitido confusão, muito menos que a máscara seja quebrada. Assim, então, Bigby ajuda ao comitê a desvendar os mistérios que rondam a cidade. Aliás, todas as fábulas que não possam ter uma forma humana vivem distantes da cidade, morando em uma fazenda na área rural.

Outros personagens também estão na história. Alguns nomes são: João – é, aquele do pé de feijão, que namora Vermelha de Rosa -, a Bela e a Fera – que estão casados há mais de cem anos -, o Príncipe Encantado – que se separou de Branca de Neve logo no início da relação por ter ido pra cama com Vermelha de Rosa -, um dos três Porquinhos, pelo menos até onde eu vi – que vive importunando Bigby por ele ter feito o que fez com ele -, Barba Azul – o temido pirata que matava suas esposas e tem um caso com Vermelha de Rosa -, entre outros.

Ufa! Quantos, não? E olha que eu só li 4 edições. Já foram publicadas mais de 70 lá nos EUA. Aqui no Brasil existem alguns encadernados lançados pela Devir e atualmente a Pixel, da Ediouro, publica edições em mix com outras histórias todo o mês na Fábulas Pixel. O bom é que pelo menos o título chegou aqui. O ruim é que a Pixel anda fazendo uma confusão dos diabos com sua cronologia e publicações. É um troca troca de revista que não para mais.

Claro que existe um meio mais fácil de se conseguir as edições. Esse meio é o de download na internet. Já comentei sobre o site Vertigem que publica esse tipo de quadrinho adulto do selo Vertigo. Mas baixando ou não, estou rezando para que a confusão na Pixel termine para que as publicações possam continuar sem problemas. Eu baixo por não aguentar de curiosidade, mas ler no pc é muito ruim. Além do mais, eu gosto de ter a revista em mãos, ler onde quiser e apreciar a arte impressa, não digitalizada.

Por falar em arte, a de Fables não é das minhas preferidas. Eu gosto do estilo pintura à óleo ou algo parecido. Mais artístico. Mas comparando Fables com Hellblazer, por exemplo, eu prefiro Fables, e isso já é o suficiente. No entanto o traço usado é até importante para inserir detalhes que dão um “q” a mais na HQ.

Nas primeiras edições a história é a seguinte: Vermelha de Rosa está desaparecida. Os principais suspeitos são João e Barba Azul. Ambos já se relçacionaram com ela. João a namora há 4 anos, e Barba Azul é seu amante há 1 ano. Branca de Neve fica arrasada quando sabe da notícia, mesmo estando brigada com sua irmã há décadas. Para investigar o caso, é chamado o “xerife” da cidade. Bigby, o Lobo Mau.

Como podem perceber, a história não é uma fábula em si, e para quem acha que é algo que se prende no humor, está enganado. Na verdade trata-se de uma HQ policial, investigativa, de suspense e com um toque noir. Claro que existem os elementos de humor, ainda mais no sarcasmo de alguns personagens ou diálogos muito bem bolados. Também não se pode esquecer dos elementos visuais que são empregados em alguns cenários. É possível, por exemplo, reparar o gancho do capitão Gancho no escritório de Barba Azul. Foda, não?

Acho que está de bom tamanho o post. Eu recomendo para quem gosta de ler HQ. Para quem não gosta, não adianta. Mas talvez possam tentar, vai que vocês começam a gostar. Porém cuidado, isso vicia e fale pessoas, huahuahuauhahuahua!!!


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