12 Horas de Sono

Noturno

Posted on: 25/09/2009

Resolvi escrever sobre um livro. Resolvi que esse livro fosse sobre vampiros. Resolvi escolher esse da imagem. Por que? Bom, porque essa postagem antecede minha opinião, de uma forma geral, sobre esses tão aclamados – ou não – livros do gênero. Por enquanto, até a próxima postagem não ficar pronta, eu escrevo essa e comento o livro Noturno, de Guillermo Del Toro e Chuck Hogan.

Antes de mais nada queria começar tentando desvendar quem, de fato, escreveu Noturno. É uma tarefa difícil, pois essa informação não foi bem passada para a mídia. Porém, segundo muitas conversas que aparecem por aí, parece que ambos o escreveram, com a diferença que um deles mais que o outro. Del Toro teve a idéia. Depois, juntando várias peças, aqui e ali, formulando idéias secundárias e algumas outras criações que fermentassem a estória passou a bola para Hogan. Isso é um tanto quanto lógico, já que o autor de livros na verdade é Chuck Hogan. Há quem diga que os manuscritos foram passando de um para o outro, onde acontecia a edição e adição de algo que poderia ser encaixado para deixar o livro melhor. O fim é esse: é terminado a primeira parte da Trilogia da Escuridão.

Deixando essa pequena discussão de lado, é hora de entrar na parte que interessa. O livro é bom ou ruim? Na verdade, eu já estive prestes a jogar ele fora. De verdade. Depois pensei em dá-lo a alguém de presente. Tenho alguns amigos que gostam de ler, e a maioria prefere exatamente esse tipo de ficção. Mas eu consegui ir além e cheguei ao fim do livro. Foi um pouco arrastado, confesso, mas consegui. Demorei perto de uma semana e meia para terminar um livro de aproximadamente 450 páginas. O que isso significa? Ele começou agradável – isso eu digo apenas para o prólogo -, se estendeu até o meio de uma forma intragável e finalizou razoavelmente. Razoável não é algo bom para um livro, ainda mais que carrega um nome tão forte estampado na capa. Só quero salientar que, antes de deixar de ler porque não gostou do comentário ou porque acha que já sabe que o livro é razoável, continue a ler. Nem tudo agrada a todos, e o que vem a seguir pode te fazer mudar de idéia.

Algumas pessoas chamaram a minha atenção dizendo que o livro deve ser tratado como algo cinematográfico, afinal o autor do livro, ou um dos autores, é um cineasta. Eu respondi: E daí? Chuck Hogan, pelo que sei, também se envolve com cinema. Ele faz trailers e sabe que um trailer bom é um trailer que vai direto ao assunto. Que não mostre o que se deve esconder, mas que faça algo se movimentar em nosso estômago de vontade de assistir aquilo. Hogan já escreveu outros livros, nunca os li, mas pelo que pude falar com pessoas que o fizeram, ele soube separar as coisas. Isso é algo que deve acontecer. Não importa se o autor é um cineasta ou não, as coisas são completamente diferentes. Audiovisual é audiovisual, literatura é literatura. Mesmo que exista alguns elementos peculiares de um cineasta em um livro, os dois mundos devem ser separados. Isso não aconteceu de imediato, e é por isso que o livro permanece quase morto da página 15 até perto da página 200. Depois disso a coisa começa a se desenvolver melhor.

– SPOILER –
ON

O livro trata de vampiros, como já mencionei antes. O interessante disso é que não são os costumeiros vampiros que vemos por aí. Em Noturno os vampiros são patogênicos. Não trata-se de uma maldição propriamente dita, e sim de um vírus que interage no organismo de um ser vivo. Ou seja: um parasita entra em seu hospedeiro e começa a modificá-lo para seu próprio benefício. Parece algo interessante, não? Foi por isso que comprei. Essa modificação que mencionei é algo que beira a monstruosidade. Ao invés de termos os famosos e simbólicos dentes vampirescos que fazem o furo no pescoço de suas vítimas para sugar seu sangue, temos uma espécie de ferrão, movimentado por um músculo alongado em formato de língua. Através dessa coisa é que o vampiro – ou strigoi, como um dos personagens os chama – suga o sangue da vítima. Não existe seleção. Cada vítima atacada, que não é morta, é infectada. O que ficou um pouco fora da originalidade prometida pelos autores, como um livro de vampiro verdadeiramente voltado para o terror, foi o uso de um Clã antigo, do qual os vampiros participam, contendo 7 no total. Onde esse sétimo é o responsável pela quebra de um pacto muito antigo.

A estória começa com um avião que estava pronto para pousar no aeroporto JFK, em Nova York, mas algo estranho acontece lá dentro antes mesmo dele chegar ao chão. Os passageiros, após feita a checagem, parecem estar mortos, quando na verdade estão devidamente infectados e em pouco tempo se transformarão em vampiros. Cabe a um velho, inimigo antigo dos strugoi, e dois membros do Controle de Prevenção de Doenças exterminar esse mal. Isso envolve ter que matar amigos e crianças. Envolve mortos fugindo de necrotérios durante a noite. Envolve uma manipulação pelo poder mundial.

– SPOILER –
OFF

Na minha opinião, o livro finalizou de forma razoável, como já disse. E explico: quem quer que tenha escrito a parte que achei ruim, se prende muito a detalhes técnicos que não são tão importantes. Detalhes são bons, quando bem usados, já detalhes dos detalhes tornam o livro maçante em demasia. Por sorte, além da página 200 a estória começa a tomar um rumo mais lógico e passa a ser guiada por uma narração mais direta e objetiva. Tornando, pelo menos, uma leitura mais dinâmica, enquanto antes era preciso ler vagarosamente para não perder alguns significados. Isso não quer dizer que a leitura dinâmica dada ao livro torna-o bom. Um livro tem que nos prender, não é? Noturno não faz isso. Em algumas passagens é possível ficar tenso ou ansioso para saber o que vai acontecer, mas as constantes pausas de uma cena para outra fazem com que isso se quebre. Quero dizer; além de ser dividido em capítulos, dentro de cada um há vários cortes de núcleos. Enquanto estamos prestes a presenciar um ataque, tudo finaliza com um: “Então ela percebeu algo entrando pela ferida de seu braço e a dor foi alucinante.” ou “Ao perceber melhor a escuridão que tomava conta daquele canto do quarto, viu dois olhos. Ao dar mais um passo um ruído saltou para cima de seu corpo e o grito abafou a noite.” – o que vem a seguir são pulos pelos quais nunca teremos acesso.

Uma outra mania que me irrita em um dos autores é a de sustentar em inúmeras passagens a frase: “balançou a cabeça”. Não é dito se o balançar da cabeça é positivo ou negativo, o personagem apenas balança a cabeça. Temos que seguir uma lógica toda para talvez descobrir o sentido correto daquele ato.

Tome cuidado com Noturno. Você pode odiar, pode amar, ou pode ficar indiferente, como eu. Não sei se vou ler a trilogia. Não sei se vou comprar o segundo livro. Não sei o que vou fazer com esse meu exemplar. Só sei que comprei um produto esperando algo a altura de Del Toro e me decepcionei. Não podemos ser bons em tudo, não é? Mas parece que o livro vai virar filme, porque não? Talvez a coisa dê uma melhorada.

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1 Response to "Noturno"

Oi, vim dar o ar da graça:D

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