12 Horas de Sono

O melhor diretor do mundo e o Anticristo

Posted on: 18/09/2009

Eu não diria tanto, mas foi o que ele disse. Lars Von Trier afirmou ser o melhor diretor do mundo durante a coletiva de imprensa do filme Anticristo. Mas o assunto aqui não é esse, e sim o filme em si.

Eu já havia lido sobre o filme. Eu já havia assistido o trailer. Eu não estava dando a mínima pra ele. Na verdade, o título em questão chama a atenção, ainda mais com tal diretor, só que após todo esse trajeto não consegui associar a idéia ao nome. Agora, após assistir ao filme, entendo o porquê. Nem sempre os filmes intitulam-se como realmente são. Talvez, esses poucos, assim como Anticristo, tenham a essência impressa no nome, porém a grandeza não se explica apenas por ele, e sim com toda a construção que será mostrada durante o longa.

Antes de mais nada é bom avisar que o filme pode chocar. E isso não é aquela baboseira que você provavelmente está acostumado a ler ou ouvir. É sério! Esqueça Jogos Mortais e O Albergue. Anticristo não teve o intuito de ser um filme de terror, muito menos ser comparado a esses dois citados, mas existem cenas fortes como os tais e é bom estar avisado disso. Aliás, creio que essa informação devia estar presente no pôster do filme: “Atenção! Este filme contém cenas fortes de mutilação e sexo. Apenas maiores de 16 anos podem assisti-lo.” Eu nem sei qual a classificação etária, mas pelo menos essa que eu disse é necessária.

Agora eu falarei o que achei do filme. Para começar, seguindo sua própria sequência, eu diria sublime. Logo na primeia sequência de cena somos tomados por uma trilha sonora envolvente, onde a fotografia em preto e branco nos transmite uma tranquilidade e calma tremenda. O que assusta é que tudo isso acontece numa cena trágica. No entanto, na cena também temos prazer. É uma mistura de prazer e tragédia, tudo acontecendo ao mesmo tempo. Lembrando-se que isso é apenas o começo. A primeira cena de muitas outras, e que aliás já mostra um ângulo do que está por vir e que muitos puritanos não irão gostar.

Após a tragédia as coisas começam a se formar. O filme passa a se dividir em três capítulos. Luto, Dor e Desespero. A tragédia que não citei, é a morte de uma criança, filho do casal protagonista – Willem Dafoe e Charlotte Gainsbourg. A esposa encontra-se num luto desesperador, e seu marido tenta ajudá-la com sua própria profissão, a análise. Após algumas tentativas, tentando encontrar os medos de sua esposa, ele resolve ir até a cabana que possuem na floresta, para de uma vez por todas acabar com os medos de sua mulher. Na floresta muitas coisas acontecem, e se você quer saber é só ver o filme. Sinceramente não quero estragar nenhuma surpresa, seja ela boa ou ruim.

O filme precisa de atenção total. Nada de assisti-lo em família. Se for ver no cinema, vá sozinho. Se for alugar, também. Tente não comer nada durante ele, pois eu falo sério sobre a atenção que deve ser dada. Ele merece isso. Vá junto com ele, aprecie, entenda conforme queira e vá até o fim. Muitas coisas irão se misturar, como o medo, a religião, a loucura, a crendice, a cultura, o bem, o mal, e por aí vai. A simbologia do filme é grande, por isso não perca os detalhes. A natureza está representada como algo grande no filme. Mas quando eu digo natureza, leia como um todo. A natureza humana, a mãe natureza e qualquer coisa que se possa empregar esse nome. E essa natureza não parece ser tão boa na cabeça de Von Trier.

No fim, o filme torna-se um pouco perturbador, mas em nenhum momento dá vontade de sair antes do fim. Pelo menos não pra mim. Seus momentos sublimes ainda estão lá, e a cena final é tão confortante quanto a inicial, para compôr uma sincronia ainda melhor.

Os três mendigos

Caso queira assistir a entrevista em que Von Trier afirma ser o melhor diretor de cinema do mundo, é só acessar o site do Festival de Cannes. Além disso ele responde à outras perguntas, inclusive a que é questionado pelo porque ter feito esse filme. Pelo visto muitos ficaram chocados ou não entenderam o lado poético do filme. Se é que ele existe de verdade, não é?

😉

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2 Respostas to "O melhor diretor do mundo e o Anticristo"

Gostei do seu post. Você tem razão quando pede total atenção ao filme. No meu blog eu disse que me doei inteiramente a Anticristo e fui presenteada com a maior experiência cinematográfica que já tive na vida!
Anticristo é visceral, magistral e mexeu com cada célula do meu corpo.
É um Lars Von Trier maior, melhor. Só tenho elogios a esta magnífica película!

Oi, obrigada pela visita e comentário em meu blog.
Li o que escreveu sobre você e achei a minha cara! Costumo dizer que a música me tira do meu estado normal, entro em outra sintonia. Quem tem isso não precisa de drogas.
Prazer em conhecê-lo!

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